Fundada a 17 de agosto de 2007 por Carolina Marcello, Joana Coutinho e Paulo Brás, encerrou a sua atividade enquanto revista erótica a 17 de agosto de 2013, reabrindo a 12 de dezembro do mesmo ano como plataforma do projeto A MULHER É O FUTURO DO HOMEM.

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Fundada a 17 de agosto de 2007 por mim, pela Carolina Marcello e pela Joana Coutinho, a A(L)BERTA encerrou em 2013 a sua atividade enquanto revista erótica, apesar de se ter mantido público para consulta o seu catálogo de referências. Pelos textos que escrevi durante esses seis anos, a que, não sem alguma ironia, chamava «contos eróticos», perpassam leituras ilimitadas, memórias de pessoas e de livros, até não haver cartografia capaz de os delimitar; textos escritos num tempo que me é exterior e que tentei aproximar ao que hoje sou, apenas para descobrir que não se muda assim tanto.

Numa carta de 18 de março de 1857 a Mademoiselle Leroyer, Gustave Flaubert afirma que «Madame Bovary n’a rien de vrai. C’est une histoire totalement inventée; je n’y ai rien mis ni de mes sentiments ni de mon existence» (Correspondance, v.2, Saint-Genouph, Libraire Nizet, 2001: 713). Tem significado pendermos para a ficção, tem significado o facto de não nos ser obsceno aceitar (ou, precisamente por nos ser obsceno, termos prazer em crer) que Flaubert pudesse ter dito que a Bovary era ele, «parole que Flaubert n’a jamais dite» (idem: 719), e isso diz mais sobre nós do que o autor ter assumido a identificação com uma mulher.

Bovary não era Flaubert, mas a Alberta sou eu.

Paulo Brás

«O homem iluminado», Duane Michals

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