Fundada a 17 de agosto de 2007 por Carolina Marcello, Joana Coutinho e Paulo Brás, encerrou a sua atividade enquanto revista erótica a 17 de agosto de 2013, reabrindo a 12 de dezembro do mesmo ano como plataforma do projeto A MULHER É O FUTURO DO HOMEM.

Três poemas de Cálamo (Walt Whitman)

A BASE DE TODA A METAFÍSICA

E agora, meus senhores,
Dir-vos-ei algumas palavras que deverão permanecer no vosso pensamento e na vossa memória,
Como base e conclusão de toda a metafísica.

(Assim falou aos alunos o velho professor,
Ao encerrar o animado curso.)

Após ter estudado o antigo e o novo, o sistema grego e o germânico,
Estudado e dissertado sobre Kant e Fichte, Schelling e Hegel,
Exposto a sabedoria de Platão e a de Sócrates ainda maior que a de Platão,
E maior que a de Sócrates a do divino Cristo à qual longamente me dediquei,
Relembro hoje os sistemas grego e germânico,
Observo todas as filosofias, as Igrejas e as doutrinas cristãs,
Mas vejo claramente sob o nome de Sócrates, vejo claramente sob o nome do divino Cristo,
O terno amor do homem pelo seu companheiro, a atração do amigo pelo amigo,
Do esposo pela esposa amada, dos filhos e dos pais,
De cada cidade por cada cidade, de cada terra por cada terra.


VI UMA AZINHEIRA QUE CRESCIA NA LOUISIANA

Vi uma azinheira que crescia na Louisiana,
Aí estava, só, e o musgo pendia dos seus ramos,
Aí crescia, sem um companheiro, e oferecia alegres folhas verde-escuro,
E o seu aspeto rude, inflexível, robusto, fez-me pensar em mim,
Mas admirei-me que fosse capaz de dar folhas como essas, tão só que estava, sem um amigo junto a si: eu sabia que não podia fazer o mesmo,
Arranquei um pequeno ramo com algumas folhas e à volta entreteci um pouco de musgo,
E levei-o e coloquei-o bem à vista no meu quarto,
Não preciso dele para lembrar-me os amigos queridos,
(Pois sei que ultimamente quase só penso neles,)
Mas é para mim um símbolo curioso, faz-me pensar no amor viril;
Apesar disso, e embora a azinheira resplandeça na Louisiana, solitária na grande planície,
Oferecendo sempre alegres folhas, longe de um amigo ou de um amante,
Eu sei muito bem que não podia fazer o mesmo.


PLENO DE VIDA AGORA

Pleno de vida agora, concreto, visível,
Eu, aos quarenta anos de idade e aos oitenta e três dos Estados Unidos,
A ti que viverás dentro de um século ou vários séculos mais,
A ti, que ainda não nasceste, me dirijo, procurando-te.

Quando leres isto, eu que era visível serei invisível,
Agora és tu, concreto, visível, aquele que me lê, aquele que me procura,
Imagino como serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)


Tradução de José Agostinho Baptista

Sem comentários: