Fundada a 17 de agosto de 2007 por Carolina Marcello, Joana Coutinho e Paulo Brás, encerrou a sua atividade enquanto revista erótica a 17 de agosto de 2013, reabrindo a 12 de dezembro do mesmo ano como plataforma do projeto A MULHER É O FUTURO DO HOMEM.

Dentro de mim faz sul, seguido de Acto sanguíneo (Ondjaki)

que língua falam os pássaros
de madrugada
que não a do amor?

(…)


(…)

um corpo erótico em voz insana

amargo violino
em ópera humana.


quero reaprender o amor na respiração das tuas mãos

quero-me sentado nas pálpebras quietas do teu olhar. quero me goiaba em ti, caroço e casca, verme e moço, seiva e corpo

(…)


(…)

eu só sei caminhar respirando.


(…)

rituais a que o corpo obriga.
a flor, a despedida.

(…)


ao ser tocada
a minha mão
queimou.

à cicatriz chamei bússola.


(…)
apago-o
incenso na carne:
um cigarro não me matará

os dias
o seu peso
talvez.


quero perder-me
na densidade poética
da nuvem.


(…)

inscrevo no corpo
novas margens
para o meu território.
busco o sono e a paz
- um olhar manso –
o retrocesso no que fosse
avanço.
escrevo no corpo
porque o outro de mim
se afasta
porque o mundo
assim como sou
não me basta.


(…)

por momentos – muitos –
tu és a própria bússola.


que o amor é rosa e cacto
e espinho,
e eu sou prosa e pranto
e vinho.
do canto e do verso quero
a curva anunciada.
(…)


(…)
chama-me átomo e cospe-me:
preciso de não estar aqui.


tens o pulso tão belo. agora entendo porque o mordes. como se o sofrimento nada fosse ao pé do toque. como se a sensação canina da boca em contacto com o sangue se desintegrasse não por vontade tuas mas pela magia da beleza, do encanto redondo do teu pulso. como que te oiço o coração enquanto o mordes; como que te mordo o outro pulso, ah, claro, se pudesse, se houvesse.

tens o pulso tao belo. como que arredondo e, feito flor, estranhamente humano.

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