Fundada a 17 de agosto de 2007 por Carolina Marcello, Joana Coutinho e Paulo Brás, encerrou a sua atividade enquanto revista erótica a 17 de agosto de 2013, reabrindo a 12 de dezembro do mesmo ano como plataforma do projeto A MULHER É O FUTURO DO HOMEM.

A orelha de Deus (Jenny Schwartz)

MEL
E depois dizes: «Porquê? Porque é que és sempre tão má?»

(...)

E depois beijamo-nos.
E depois eu coço-te as costas.

Mais acima.
Um bocadinho mais acima.
Aí.
Aí mesmo.

E depois tu vais abraçar-me.
E vais proteger-me.
E eu vou perdoar-te.
E tu vais perceber-me.

E eu nunca vou deixar de te amar.
E tu nunca vais pensar em deixar-me.
E eu vou rir-me de todas as tuas piadas.
E tu nunca me vais desiludir.

E tu vais descer do céu e salvar a situação.
E eu vou dar o couro e o cabelo e ser a alegria da festa.

E vamos agradecer a Deus.
E Deus há de abençoar a América.
E se Deus quiser nunca mais havemos de morrer de fome.

E o sol vai brilhar.
E nós vamos sintonizar.
E chamar casa a esse lugar.
E vamos dançar agarrados.

E vamos abrir os olhos.
E acordar para a vida.
E saber os atalhos.
Sem a parte dos trabalhos.

E os cães vão deixar de morder.
E as abelhas vão deixar de picar.
E tudo isto há de acabar.
E tudo o que é bom.

E vamos fazer amor.
À moda antiga.
Com os olhos vendados.
E uma perna às costas.

E o Inferno há de gelar.
E os porcos vão voar.
E Roma vai-se fazer.
E a água vai ser vinho.

E a verdade há de ser dita.
E os desejos cumpridos.
E o trabalho será trabalho.
E o conhaque será conhaque.

E vamos carregar baterias.
E carregar essa cruz.
E cruzar essa ponte.
E pôr os pontos nos is.

E separar as águas.
E pôr água na fervura.
E dar a volta por cima.
E dar a outra face.

E dizer o que pensamos.
E pensar no que fazemos.
E manter a compostura.
E avaliar a conjuntura.

E contar vitórias.
E contar espingardas.
E escolher batalhas.
E engolir sapos.

E ir devagar.
E fazer durar.
E não fazer o bem.
Sem olhar a quem.

E olhar para trás.
E cortar a meta.
E chegar ao topo.
Numa linha reta.

E aproveitar.
E rejubilar.
E retificar.
E consertar.

E esperar à sombra.
E rezar à santa.
E gozar a vida.
E pintar a manta.

E passar bem.
E comer devagar.
E dormir descansados.
E manter a calma.

E deitar foguetes.
E manter a fé.
E encarar os factos.
E andar para a frente.

E admitir.
E confessar.
E começar de novo.
E tomar as rédeas.

E cantar de galo.
E fazer gala.
E mudar de assunto.
E viver à grande.

E depois vamos olhar para o ar.
Sem mexer uma palha.
E respirar fundo.
E tê-los no sítio.

E encostar.
Relaxar.

E teremos fezes no futuro.

Na riqueza, na pobreza.
Na saúde e na doença.
E o árbitro vai apitar.
De corpo e alma.


Tradução de Rogério Casanova

Sem comentários: