Fundada a 17 de agosto de 2007 por Carolina Marcello, Joana Coutinho e Paulo Brás, encerrou a sua atividade enquanto revista erótica a 17 de agosto de 2013, reabrindo a 12 de dezembro do mesmo ano como plataforma do projeto A MULHER É O FUTURO DO HOMEM.

A sul de nenhum norte: 7

AS MUDANÇAS A INFILTRAREM-SE

O Século Vinte não aconteceu
só aos outros,

disse o pai. Aconteceu-te a ti
mesmo estando tu sempre

dentro de casa. (...)


A QUEDA DO MURO

Beijá-la
foi como beijar

o Muro de Berlim
enquanto

caía. Houve
um empurrão,

que começou do lado dela,
embora fosse difícil de notar.

Porque o júbilo tornou-se
lentamente em consternação


CONVERSANDO NA LINGUAGEM CORPORAL

De vez em quando à noite
trocamos o Inglês por

linguagem corporal. Ela
arranjou uma

maneira engenhosa –
cobrir as suas

áreas vulneráveis –
para dizer «Hoje não.

Talvez para a semana
se ainda estivermos a sair»

Hal Sirowitz (Tradução de Maria Sousa)


AS COISAS SEMELHANTES

Um dia tiveste a minha idade e tantas ou mais coisas
partidas do que eu. Um coração, o fecho de um colar de pérolas,
aqueles olhos vazios como o aquário verde no topo da estante,
demasiadas palavras armadas em metáforas. Coisas semelhantes
que mais tarde alguém tentou reparar. Tempo, amor e morte – sobretudo
os seus lugares vazios.
E uma pele capaz de os alojar.

Inês Fonseca Santos


A ERRÂNCIA E A PROXIMIDADE

(...)

O tempo não se mede, interpreta-se:
assim o ensina a música

Lauren Mendinueta (Tradução de Maria Sousa)


tenho-te na pele como voz
que ainda não tive tempo de despir

faço uma pausa, escolho um vestido novo
mas mesmo assim fico um adereço imperfeito
no teu esquecimento

Maria Sousa


revista número sete

1 comentário:

Brás, Paulão disse...

http://revista-aberta.blogspot.pt/2012/06/sul-de-nenhum-norte-1.html