Fundada a 17 de agosto de 2007 por Carolina Marcello, Joana Coutinho e Paulo Brás, encerrou a sua atividade enquanto revista erótica a 17 de agosto de 2013, reabrindo a 12 de dezembro do mesmo ano como plataforma do projeto A MULHER É O FUTURO DO HOMEM.

A dor nem era tanto no cu (Jader Pires) *

A dor nem era tanto no cu. Claro que ter um consolo volumoso arrombando as pregas, sem que você tenha qualquer tipo de tesão no rabo, deve dar uma dor do cacete. Mas a dor que ele sentiu era muito maior e difícil de controlar. Nada pode doer mais num homem do que se ver completamente indefeso perante outro homem mais forte.
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Ele queria dizer “não” diversas vezes, mas cada cerrar de testa era recebido com um tapinha na cara, daqueles que se dá em putinha que finge não querer dar pro cliente. Era uma humilhação sem igual. Três homens, todos maiores que ele, adentraram ao carro no estacionamento do escritório e levaram-no sei lá pra onde. Tudo na base do tapa, dos gritos e do cano gelado atrás da orelha.
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Sem culpa, sem chance, enrabaram-lhe com o consolo, dois a segurar as pernas e um a foder a bunda do pobre homem que sentia cada prega cuspindo sangue estupidamente, sem saber como se comportar a ter um falo estuprando seu cu. A dor no rabo era forte, quase insuportável, mas chegava a ser uma distração perto da humilhação e incapacidade que ele sentia dentro de si. Um trauma pra vida toda.
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Filme em canal à cabo não censura cenas fortes e ela ficou toda tesa ao se colocar no lugar da personagem, impotente e tomando no cu. A cena a chocava. A imaginação a deixava toda úmida debaixo do shortinho de pijama. Atormentada, a garota desligou a televisão e foi se deitar. Na cama, não conseguia parar de pensar e sua bundinha se contraía involuntariamente, enquanto ela praguejava o pecado que era o crime, o sequestro, a privação da liberdade alheia, a humilhação pela humilhação, o sexo anal. Ficava, ao mesmo tempo, roçando a mão nas coxas e julgando mulheres que se abriam pra tal libertinagem, que se atreviam a dar o cu. Quanto mais pensava, mais molhada ficava.
Botou o dedo no shortinho, bem no meio das pernas, e sentiu a quentura. Com a mesma mão, apertou a bunda. Abriu com o dedão e o anelar e o dedo do meio fez o resto. Era linda a cena. Uma menina, no auge do tesão, travando uma luta épica entre a culpa e a entrega. Enquanto meditava sobre a paz mundial e a desnecessidade do sexo sujo, ela dava uma bela massageada com o dedo. Ameaçava adentrar, mas era só parte da massagem. Quase foi à loucura. Dormiu sem gozar, com a bundinha latejando.
Pela manhã, já na escola, só abriu a boca já depois do intervalo, pra dar um esporro sem precedentes no garoto que sentava atrás dela. O fedelho, todo dono de si, contava aos quatro ventos do fundão da sala seus feitos eróticos, suas escapadas sexuais, as tias que ele comia na rua em que morava, que viviam chamando ele pra trocar a lâmpada e, quando viam o volume do seu pau sob a calça de moletom (que, claro, sempre estava sem cuecas), não se aguentavam e se insinuavam até ele fodê-las. “Coroas safadas. Essas são as melhores”.
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Um raio transpassou todo o corpo dela quando o pivete relatou que, em sua imaginação, a professora massageava o cu e pedia pra ele fodê-la por trás. No impulso, a menina se virou e berrou para os quatro ventos da escola inteira. Chamou o menor de filho-da-puta-mentiroso-escroto-dos-infernos. Humilhou o garoto na frente da classe toda, assim como viu na humilhação no filme, mas com uma rola intangível, feita de palavras duras e saliva que saía de sua boca em forma de jatos.
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* Com o devido agradecimento ao Marcelo.

1 comentário:

Brás, Paulão disse...

ler crónica na íntegra aqui http://papodehomem.com.br/a-dor-nem-era-tanto-no-cu/